Lendas de Oiá Yansã

omulu1RECOMPENSA
Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Xapanã que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos IANSÃ, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de IANSÃ que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas agora é tarde, Xapanã não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de IANSÃ, Xapanã dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos.
Mas daquele dia em diante, Xapanã declarou que somente dançaria sozinho.

iansa8TEMPESTADE

Oxaguian estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear.
Ogun fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguian pediu a seu amigo Ogun urgência, mas o ferreiro já fazia o possível.
O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo.
Tanto reclamou Oxaguian que OIÁ, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogun a apressar a fabricação.
OIÁ se pôs a soprar o fogo da forja de Ogun e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente.
Logo Ogun conseguiu fazer muitas armas e com as armas Oxaguian venceu a guerra.
Oxaguian veio então agradecer Ogun.
E na casa de Ogun enamorou-se de OIÁ.
Um dia fugiram Oxaguian e OIÁ, deixando Ogun enfurecido e sua forja fria.
Quando mais tarde Oxaguian voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, OIÁ teve que voltar a avivar a forja.
E lá da casa de Oxaguian, onde vivia, OIÁ soprava em direção à forja de Ogun.
E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguian da de Ogun.
E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas que com furor atiçava.
E o povo se acostumou com o sopro de OIÁ cruzando os ares e logo o chamou de vento.
E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava OIÁ a forja de Ogun. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.
O povo reconhecia o sopro destrutivo de OIÁ e o povo chamava a isso tempestade.

CABOCLA DE IANSÃ 5A IRA DA MULHER BÚFALO
Ogum foi um dia caçar na floresta. Ele ficou na espreita e viu um búfalo vindo em sua direção.
Ogum avaliou logo a distância que os separava e preparou-se para matar o animal com a sua espada.
Mas viu o búfalo parar e, de repente, baixar a cabeça e despir-se de sua pele.
Desta pele saiu uma linda mulher.
Era Iansã, vestida com elegância, coberta de belos panos, um turbante luxuoso amarrado à cabeça e ornada de colares e braceletes.
Iansã enrolou sua pele e seus chifres, fez uma trouxa e escondeu num formigueiro.
Partiu, em seguida, num passo leve, em direção ao mercado da cidade, sem desconfiar que Ogum tinha visto tudo.

Assim que Iansã partiu, Ogum apoderou-se da trouxa, foi para casa, guardou-a no celeiro de milho e seguiu, também, para o mercado.
Lá, ele encontrou a bela mulher e cortejou-a. Iansã era bela, muito bela, era a mais bela mulher do mundo.
Sua beleza era tal que se um homem a visse, logo a desejaria.
Ogum foi subjugado e pediu-a em casamento.
Iansã apenas sorriu e recusou sem apelo. Ogum insistiu e disse-lhe que a esperaria.
Ele não duvidava de que ela aceitasse sua proposta.
Iansã voltou à floresta e não encontrou seu chifre nem sua pele.
“Ah! Que contrariedade! Que teria se passado? Que fazer?”
Iansã voltou ao mercado, já vazio, e viu Ogum que a esperava.

Ela perguntou-lhe o que ele havia feito daquilo que ela deixara no formigueiro.
Ogum fingiu inocência e declarou que nada tinha a ver, nem com o formigueiro, nem com o que estava nele.
Iansã não se deixou enganar e disse-lhe:
“Eu sei que você escondeu minha pele e meu chifre.
Eu sei que você se negará a me revelar o esconderijo
Ogum, vou me casar com você e viver em sua casa.
Mas, existem certas regras de conduta para comigo.
Estas regras devem ser respeitadas, também, pelas pessoas da sua casa.
Ninguém poderá me dizer: Você é um animal!
Ninguém poderá utlizar cascas de dendê para fazer fogo.
Ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa”.

Ogum respondeu que havia compreendido e levou Iansã.
Chegando em casa, Ogum reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como deveriam comportar-se.
Ficara claro para todos que ninguém deveria discutir com Iansã, nem insultá-la.

A vida organizou-se.
Ogum saía para caçar ou cultivar o campo.
Iansã, em vão, procurava sua pele e seus chifres.
Ela deu à luz a uma criança, depois um a segunda e uma terceira…Ela deu à luz a nove crianças.
Mas as mulheres viviam enciumadas da beleza de Iansã.

Cada vez mais enciumadas e hostis, elas decidiram desvendar o mistério da origem de Iansã.
Uma delas conseguiu embriagar Ogum com vinho de palma.
Ogum não pôde mais controlar suas palavras e revelou o segredo.
Contou que Iansã era, na realidade, um animal; que sua pele e seus chifres estavam escondidos no celeiro de milho.
Ogum recomendou-lhes ainda:
“Sobretudo não procurem vê-los, pois isto a amedrontará.
Não lhes digam jamais que é um animal!”
Depois disso, logo que Ogum saía para o campo,
as mulheres insultavam Iansã:
“Você é um animal! Você é um animal!!”

Elas cantavam enquanto faziam os trabalhos da casa:
“Coma e beba, pode exibir-se, mas sua pele está no celeiro de milho!”
Um dia, todas as mulheres saíram para o mercado.
Iansã aproveitou-se e correu para o celeiro.
Abriu a porta e, bem no fundo, sob grandes espigas de milho, encontrou sua pele e seus chifres.
Ela os vestiu novamente e se sacudiu com energia.
Cada parte do seu corpo retomou exatamente seu lugar dentro da pele.

Logo que as mulheres chegaram do mercado, ela saiu bufando.
Foi um tremendo massacre, pelo qual passaram todas.
Com grandes chifradas Iansã rasgou-lhes a barriga,
pisou sobre os corpos e redou-os no ar.
Iansã poupou seus filhos que a seguiam chorando e dizendo:
“Nossa mãe, nossa mãe! É você mesma?
Nossa mãe, nossa mãe!! Que você vai fazer?
Nossa mãe, nossa mãe!!! Que será de nós?”
O búfalo os consolou, roçando seu corpo carinhosamente no deles e dizendo-lhes:
“Eu vou voltar para a floresta; lá não é um bom lugar para vocês.
Mas, vou lhes deixar uma lembrança.”
Retirou seus chifres, entregou-lhes e continuou:
“Quando qualquer perigo lhes ameaçar, quando vocês precisarem dos meus conselhos, esfreguem estes chifres um no outro.
Em qualquer lugar que vocês estiverem, em qualquer lugar que eu estiver, escutarei suas queixas e virei socorrê-los.”

Eis porque dois chifres de búfalo estão sempre no altar de Iansã.
(Do livro Lendas Africanas dos Orixás)
Pierre Fatumbi Verger/Caribé – Editora Corrupio

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Categories: Orixás | 1 Comentário

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One thought on “Lendas de Oiá Yansã

  1. Very interesting subject, thanks for posting.

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