Senhoras do movimento e da guerra

Gosto de fazer analogias entre os Orixás e Deuses e Deusas e personalidades de outras culturas e religiões, assim, busco uma reflexão: desde que o mundo é mundo, existem forças da natureza e várias culturas por diferentes períodos da história tentam ilustrar e se “apropriar” desse poder.

Neste texto, vou reunir informações de diferentes culturas que tem suas divindades com características semelhantes: elas dominam a arte da guerra e do movimento!

 

Mitologia Africana

IANSÃ
timthumbOrixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara.

Iansã é saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, consequentemente, da tempestade.
Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.
A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura – enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.
É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência, Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.
Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas  é também dona do teto da casa, do Ilê.
Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim – seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.
É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma.
Iansã é a primeira divindade feminina a surgir nas cerimônias de cultos afro-brasileiros.


Mitologia Grega

ATENA

atenaDeusa grega da sabedoria e das artes. Os romanos a chamavam de Minerva. Foi concebida da união de Zeus e da deusa Métis. Era uma deusa virgem, linda guerreira protetora de seus heróis escolhidos e também de sua cidade Atenas.

Atena era a filha predileta de Zeus, porém quando Métis ficou grávida, Zeus engoliu a esposa com medo de sua filha nascer mais poderosa que ele e lhe tirar o trono, mas para que isso acontecesse convenceu Métis a participar de uma brincadeira divina, onde cada um se transformava em um animal diferente e Métis pouco prudente acabou se transformando em uma mosca, e Zeus a engoliu. Métis foi para a cabeça de Zeus. Mas com o passar dos anos, Zeus sentiu uma forte dor de cabeça e pediu para que Hefesto lhe desse uma machadada, foi então que Atena já adulta saltou de dentro do cérebro de seu pai, já com armadura, elmo e escudo.

Atena leva uma lança em sua mão, mas que não significa guerra e sim uma estratégia de vencer, também foi a inventora do freio, sendo a primeira que amansou os cavalos para que os homens conseguissem domá-los. A cidade Atenas era sua preferida já que levou seu nome e onde também se fazia cultos em sua homenagem.

Atena, considerada a deusa virgem, ficou assim durante toda a história, pois pedia para que os deuses não se apaixonassem, pois ela ficaria grávida e teria que largar sua vida de guerras e passar a viver em uma vida doméstica.

Essa grande deusa era para ser a nova Rainha do Olimpo, mas como era mulher seu pai continuou no trono. Mas Atena foi a deusa da sabedoria, prudência, capacidade de reflexão, poder mental, amante da beleza e da perfeição.

Hinduísmo

DURGA

durgaO mito de Durga é contado de maneira detalhada nos Purunas, relatos épicos hindus, escritos entre os séculos III e XV d.C. Considerada uma das manifestações de Devi, a Mãe Divina, e de Shakti, o todo-abrangente princípio feminino, Durga, juntamente com Uma e Parvati, fazia parte de uma tríade de Deusas. Durga personifica o espírito feroz, defensor e protetor da mãe que luta com todos os seus recursos para salvar seus filhos dos perigos e dos inimigos.

Durga surgiu durante a guerra primordial entre os deuses e demônios, quando nenhum dos oponentes conseguia vencer e os combates se prolongavam incessantemente. Sem saber o que fazer, os deuses se reuniram e concentraram seus pensamentos na busca de uma solução. Suas energias mentais plasmaram-se em forma de raios vermelhos, brancos e pretos que, ao se condensarem, deram origem a um pilar de luz brilhante. Deste pilar emergiu uma mulher de extraordinária beleza, cavalgando um leão.

Reconhecendo seu poder, os Deuses cederam a essa primeira manifestação da energia feminina, chamada de Devi, todas suas armas celestiais e lhe pediram para combater Durga, um monstro ameaçador. Após vencê-lo, Devi adotou seu nome, como comprovação de sua vitória.

Quando fica raivosa, ela assume o aspecto sanguinário de Kali, sendo às vezes confundida com ela. No entanto, ela também é Mataji, a Mãe do Universo, cuja natureza compassiva e amorosa pode ser invocada para restaurar a paz no mundo e acalmar as mentes e corações em tempo de crise ou violência.

Em seu aspecto mais compreensível, Durga simboliza o poder de resistência e combate às forças maléficas. Nada mais oportuno do que invocá-la nestes momentos de conturbação e ameaça à humanidade e à paz mundial.

Para as mulheres atuais, Durga oferece um modelo de poder interior por representar a inteligência criativa que sabe usar a estratégia, a prudência, a coragem e a determinação para lutar por seus objetivos, por sua independência e pela libertação das amarras dos condicionamentos passados.

Cultura Celta

 A representante da Deusa soberana era uma sacerdotisa ou rainha imbuída de poderes especiais, que até mesmo podia ser divinizada, como se conclui das lendas de Macha, Maeve e Boudicca. Nos mitos aparece de forma metafórica o alerta sobre as consequências da opressão, violência e exploração da natureza e da mulher com os inerentes desequilíbrios, a falta de prosperidade e do convívio pacífico.

MACHA (pronuncia-se Maha) é descrita como uma típica deusa celta tendo um caráter ambíguo: ora generosa e gentil, ora terrível e implacável guerreira. Ela – assim como Maeve – é uma divindade ctônica, ligada às dádivas da terra e à sua necessária defesa e proteção. Maeve (ou Medb) representava o espírito feminino arcaico, existente em cada mulher e que é expresso em grau maior ou menor como comportamento instintivo, impulsivo, corajoso, combativo, sedutor e fértil. Outras fontes citam Macha como sendo uma das faces de Morrighan, a formidável deusa tríplice da guerra, morte e sexualidade (o meio natural para garantir a fertilidade). As faces de Morrighan chamadas de Morrigna eram conhecidas como: Nemain, o frenesi combativo que infundia o terror nos inimigos, Morrighan, a “Grande Rainha” que planejava o ataque e incitava o heroísmo e a valentia dos combatentes, Macha ou Badb, o corvo que se alimentava dos cadáveres dos mortos em combate e que era associada aos sangrentos troféus da batalha (as cabeças decapitadas dos inimigos, consideradas “sua colheita”). Esta triplicidade também era conhecida com os nomes de Banba, Fotla, Eriu, as ancestrais padroeiras da Irlanda.

Na filosofia celta não existia vida sem morte, nem paz sem guerra. Cada ser traz em si estes elementos e pela sua percepção vemos a necessidade do seu equilíbrio, que pode ser desestabilizado pela supervalorização de uma característica em detrimento de outra. Nosso desenvolvimento espiritual depende da compreensão e harmonização de todos os elementos que fazem parte do nosso ser. Somente conhecendo a face escura e selvagem e “domando-a”, poderemos tomar consciência da nossa divina complexidade, conhecendo assim a verdadeira e completa natureza. É possível unir as qualidades maternais e femininas com os aspectos guerreiros, os dons da arte, magia e sedução.

 

BOUDICCA: a rainha guerreira celta

BoudiccaA rainha Boudicca ainda é uma mulher enigmática em vários aspectos, pois os relatos que mencionam parte de sua história, se encontram em obras de historiadores romanos como Tácito e Dião Cássio; e neste caso, tais relatos apenas se referem aos acontecimentos ocorridos entre os anos de 60 e 61d.C, os quais estão relacionados ao momento no qual Boudica passou a liderar algumas tribos celtas na Bretanha, a fim de vingar a morte de seu marido e a afronta ao seu povo, cometida pelos romanos.

Após a morte do seu marido, Boudicca recebeu a visita do procurador Deciano Cato , que reuniu algumas tropas e decidiu atacar a tribo dos icenos, a fim de obrigar a fim de obrigar que a rainha viúva passasse de vez suas terras para o governo romano. Todavia, Boudica negou-se a obedecer o procurador, então foi ordenado que ela fosse açoitada e suas duas filhas foram estrupadas. A vila foi saqueada, parte da família real foi feita escrava e alguns icenos foram mortos. Todavia, Cato deixou o local e se retirou. 

De acordo com Dião Cássio e Tácito, devido a essa afronta e violência, motivada por grande fúria e sede de vingança, Boudica decidiu declarar guerra aos romanos. Além desse motivo de vingança, Dião Cássio (1914, p. 85-86) transcreveu uma suposta fala da rainha icena, a qual diz que eles não deveriam mais tolerar serem escravos dos romanos, terem que se submeter as leis e a ordem deles; terem que pagar tributos ao império, terem que ceder suas posses, terem que pagar com seus corpos. Tácito também assinalou esse motivo político, no qual alegou que a revolta dos icenos, também teria sido motivada contra a escravidão imposta por Roma. 

Não obstante, embora Boudicca seja lembrada na história romana como uma traidora e insurgente, na história britânica, ela passou a ser vista como uma heroína, principalmente através da literatura, pintura e escultura e da iniciativa de algumas rainhas, como Elizabeth I Vitória, a quais tomaram a antiga rainha celta como fonte de inspiração.

“Logo depois que a rainha Vitória foi coroada, o artista Herry Courtney Selous, em 1843, pintou um retrato de Boudica para ela. A heroína aparece na pintura vestida com uma túnica, um xale esvoaçante e com o busto à mostra, gesticulando no campo de batalha como se chamasse pela presença da força dos guerreiros antes da batalha. Como a rainha Elizabeth I, a rainha Vitória utilizou da força dessa personagem como símbolo de liderança feminina, solicitando a construção de uma estátua em homenagem à guerreira, a qual foi levantada em Londres pelo artista Thomas Thornycroft, próxima à ponte de Westminster, às margens do rio Tâmisa, em frente ao parlamento britânico, em oposição ao Big Ben”. (BÉLO, 2014, p. 109).

Vale ressaltar que essa é apenas uma interpretação pessoal, e que teriam outras culturas e suas divindades para listar.

http://seguindopassoshistoria.blogspot.de/2015/04/boudica-rainha-guerreira-celta.html

http://www.teiadethea.org/?q=node/153

http://www.infoescola.com/mitologia-grega/atena/

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